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MÉMORIAS ENTRE O FUMO


















Sai de casa, quando voltar o fumo dos cigarros ainda la estará.
Não olha em frente não precisa de saber para onde vai.
Guiado pela sombra sem destino, pouco importa não tem horas para chegar a lado algum, ninguém o espera.
As mãos tão cansadas de não tocarem em ninguém, muito deram a crescer, agora de recompensa nada tem.
Cruza se com outras sombras, não faz diferença não vêem a sua.
Conhece cada pedra da calçada, são tão velhas como as suas rugas.
Mais um cigarro ,acende-o e apaga a sua sombra, ela volta.
Os dedos amarelos e as unhas são anos de solidão levados pelo fumo.
Parou na mesma esquina que ontem ,tudo igual menos a lua .
Olha para um lado e para o outro, nada a não ser o vento que o empurra do sitio.
O cigarro queima rápido ,a noite e longa e as memorias nascem por entre o fumo,
que bom era poder não ter saudades de nada.
Era mais fácil parar, se não tivesse um dia sonhado .
Olha o relógio, são horas de nada , da lhe corda para nada,e tempo de nada.
A noite não tem pressa,acompanha-o mas faz questão de o recordar dos passos dados.
O cigarro acabou, e as memorias vão alimentando a noite.
Vê a porta de casa ao fundo da rua ,as chaves estão na mão por instinto .
Passa por ela e não entra é cedo demais para voltar....


Arnelas Firmino